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Tuesday, February 02, 2010

Edição 2, fevereiro de 2010

 

  • Teoria conspiratória e predições pseudo-científicas em Ninja.

  • Confrontos tribais na República Democrática do Congo aqui.

  • Hoje em dia, qualquer crime ou delito, mesmo leve que seja, vira “questão social”. Cansado desta bazófia, lero-lero de hipócritas que acham que uma sociedade se estrutura sem o mínimo de repressão? Leia aqui.

  • O terrorismo não é somente de fundo (fundamentalista) religioso. No limite, todos procuram poder (óbvio), o que fica patente quando se analisa o caso dos cartéis da droga mexicanos no país onde os narcotraficantes também têm se valido deste covarde expediente. Em México: narcoterrotistas.

  • Teses em filosofia política quando divulgadas ao grande público costumam abusar de clichês. Este é o caso do “egoísmo racional” – a premissa de que todos nós somos fundamente agentes econômicos racionais... Se formos ‘normalmente’ egoístas, também podemos ter o altruísmo como necessidade de sobrevivência. Em O gene altruísta.

  • Ainda sobre a tese que desculpa a atividade criminal por suas “raízes sociais” vejam aqui como foi o último réveillon parisiense.

  • Os afrodescendentes e “afrodependentes” brasileiros deveriam ler o texto que se segue em torno da “luta racial” (como substituta de uma luta de classes). Nada como uma boa desmistificação...

  • Duas concepções sobre o lançamento de satélites aqui.

  • Sobre religião e finanças aqui.

  • Muito se fala sobre a ‘esquerdização’ da América Latina. Exagero... Veja como a ex-presidente chilena procurou melhorar a qualidade da política nacional com artigo igualmente escasso no Brasil, a transparência pública.

  • O comediante americano Chris Rock ironiza as idiossincrasias entre liberais (nos costumes) e conservadores em seu país aqui.

  • Há um consenso de que uma sociedade liberal induz ao desenvolvimento econômico. Nem sempre... Às vezes se faz necessário uma certa dose de autoritarismo, como em Cingapura.

  • Três momentos de uma discussão com um hipócrita terceiro-mundista que tenta isentar de culpa qualquer ataque proveniente do Islã ao Ocidente: um, dois e três.

  • Teóricos da conspiração agora têm atacado qualquer preocupação ambiental como se fizesse parte de uma agenda política mundial. É necessário separar o joio do trigo. Em É a demografia, idiota.



  • Sobre Cuba e o narcotráfico aqui.

  • É lugar comum se dizer que o drama social na África é conseqüência e responsabilidade do colonialismo europeu. Mas, e a corrupção atual, também? Aqui.

  • O argumento corrente sobre o nazi-fascismo é de que foi uma “esperança do capitalismo”. Em Burguesias nacionais e imediatismo afirmo que se tratou, na realidade, de um tipo de regime coletivista, assim como o comunismo.



2 de fevereiro de 2010

Saturday, January 02, 2010

Edição 1, janeiro de 2010


  • Está certo mesmo. Tem que ter limite, o espaço é público e se for para 'privatizar' através de alguma concessão tem que se pagar pelo uso. Ainda levaram vantagem, pois podem utilizar parte do espaço gratuitamente. Estão reclamando de que, afinal de contas? Em: Cadeiras de praia vs. Espaço público...

  • A opinião de Popper sobre como lidar com o poder é interessantíssima e faz coro com sua visão de ciência. Enquanto que nesta não se trata de provar, mas de sustentar uma hipótese por mais tempo sem que opiniões opostas a refutem, a democracia seria a arte de impedir a tirania e limitar o poder. Bem pensado. Em: Demografia e Democracia...

  • O novo filme (e excelente) de James Cameron – Avatar – prima pelo politicamente correto e, com isto não estou fazendo uma crítica. É seu ponto de vista. Daqui em diante peço que quem não queira que eu lhe tire o prazer da surpresa, não leia mais... Em: Avatar...

  • O interessante é que existem duas objeções básicas a democracia, que são provenientes de ideologias antagônicas, o anarquismo e a ditadura. Imaginemos uma sociedade existindo sem nenhuma forma de estado cristalizado, baseada simplesmente em associações voluntárias de cidadãos buscando formas de se auto-gerir. A justificativa anarquista diz que o estado é intrinsecamente mau e também é a raiz de todos os males sociais. Em: A Democracia e seus Descontentes...


  • O niqab, um dos trajes islâmicos, tem sido questionado como problema de “segurança pública”, pois alguns muçulmanos (terroristas ou simples assaltantes) e não-muçulmanos o adotaram como disfarce para suas ações, em: O niqab e a segurança pública...

  • Eu gostaria de entender as escolhas de investimento de Al Gore levando em consideração o que ele diz acreditar, em: Insondável Razão...

  • Exemplos de justificativas pró e contra o Aquecimento Global Antropogênico, em: AGA: opções...

  • É certo que um individualismo metodológico não significa um individualismo ético. Como alemão, Weber dificilmente aceitaria o segundo, mas sua posição política, ou melhor, sua ‘metodologia’ política está mais para a liderança, força, domínio de um Nietzsche que um democrata estaria para a sociedade ou um socialista para o partido. Equipar Weber aos coletivistas é sofisma ou desconhecimento. Absurdo, em: Weber coletivista?


  • Eu não levanto mais bandeiras disso ou daquilo. Já houve tempo em que eu pensava que sabia algo a respeito do Aquecimento Global Antropogênico. Agora, eu só assisto de camarote e espero aprender algo a respeito. Não só em termos climatológicos, mas principalmente em termos de filosofia da ciência, como se pode fazer ciência em meio a um contexto politicamente turbulento. Em: AGA: sociologia do conhecimento à deriva...

  • Eu não comentei antes para ver os resultados, mas já imaginava isto. É um padrão que se repete: em toda conferência internacional, seja nas antigas sob população e desenvolvimento capitaneadas pela ONU, como a CIPD, ou sobre urbanização, como a Habitat II etc. sempre ocorre a polarização dicotomizada entre países industrializados, ricos e os em desenvolvimento, sob o tom terceiro-mundista. Em: O insustentável coitadismo do ser...


  • Tive oportunidade de participar de algumas audiências públicas e várias reuniões do Plano Diretor Participativo de Florianópolis entre 2007 e 2008. A tônica, como não poderia deixar de ser, era a questão ambiental e a crítica que recaía sobre os desmandos urbanos da construção civil e setor imobiliário. Em: Meu sócio, o Leviatã...

  • Indicadores como o de corrupção, que medem causas têm sido menos enfatizados que o IDH que se detém sobre os efeitos. Em: Nós vemos o que queremos...

  • O título deste registro nos remete a uma pergunta que não costuma ser feita nos cursos de geografia brasileiros. Quando se coloca esta questão, não raro ouvimos acusações de “isto é positivismo!”; “não existe separação sujeito/objeto!” e outras gracinhas similares. Isto decorre de um mal entendido de que um cientista deve ser ‘neutro’, o que não é possível, mas nem por isto tem que descambar para a mais descarada doutrinação. Em: A ética e o ‘lado’ do geógrafo...

  • Um dos tijolos do edifício ambientalista é o conceito de Direitos Difusos, que possui seu corolário jurídico no chamado “direito alternativo” em defesa das minorias, das comunidades locais etc. Muito bem, eu não consigo conceber uma sociedade (que honre este status) sem a contrapartida moral, de seus deveres. Em: No Marx, Yes Thoreau...


  • O negócio é o seguinte: dá para revistar alunos ao entrar na escola? Não dá?! Então, dane-se! Infelizmente, o futuro próximo nos reserva uma 'feudalização' da sociedade, cuja alternativa será a proliferação de condomínios fechados com leis próprias. Condomínios para todas classes sociais, já que o estado se rendeu, ou melhor, não liga mais para a vida civil. Em: O que nos resta...


  • Duas das seis questões do vestibular da Fatec correspondem aos clichês anticapitalistas recorrentes nas provas de geografia. Vamos a elas: FATEC, 2010...

  • A matéria abaixo, de um ponto de vista próprio africano não deixa dúvidas, para alavancar o desenvolvimento continental, o grande capital é de suma importância. Isto serve para aqueles que acreditam apenas na geração espontânea (sem inversões externas e ação estatal), como "autênticas formas" de desenvolvimento. Em: Moçambique: em favor dos grandes empreendimentos...

  • Em primeiro lugar, a visita do líder iraniano se refere ao interesse imediato do Brasil em obter investimentos ao seu crescente setor energético. Fundamentalmente, grana. Toda papagaiada da Carta Capital falando em "cotovelada" em Barack Obama não leva este fator óbvio em consideração. Em: Um tiro pela culatra...


3 de janeiro de 2010

Friday, July 10, 2009

Na natureza domada


Dois anos ele caminha pela terra. Sem telefone, sem piscina, sem animal de estimação, sem cigarros. Liberdade definitiva. Um extremista. Um viajante estético cujo lar é a estrada. Fugido de Atlanta, não retornarás, porque “o Oeste é o melhor”. E agora depois de dois anos errantes chega à última e maior aventura. A batalha final para matar o ser falso interior e concluir vitoriosamente a revolução espiritual. Dez dias e noites de trens de carga e pegando carona trazem-no ao grande e branco Norte. Para não mais ser envenenado pela civilização, ele foge e caminha sozinho sobre a terra para perder-se na natureza.

Alexander Supertramp, pseudônimo de Christopher Johnson McCandlessapud
Na Natureza Selvagem
[1] de Jon Krakauer. McCandless foi encontrado morto por inanição na carcaça de um ônibus abandonado no Alaska em 1992.






George Reisman em Propostas para uma economia mais verde argumenta, ironicamente, sobre as metas e métodos do que considera a essência do movimento ambientalista atual: gerar empregos ineficientes graças ao intervencionismo estatal. Mas, apesar de acertadas as críticas gerais a este tipo de movimento, ele erra nos detalhes e, como se diz, o diabo está nos detalhes...



“E, finalmente, pense em todos os empregos que um programa de ‘gerenciamento’ ambiental poderia criar. Cada pedaço de deserto, cada formação rochosa, cada tufo de grama e cada tronco de árvore seria zelosamente vigiado por um ou mais ‘administradores’, cuja função seria guardar, proteger e preservar tais recursos para as ‘gerações futuras’. Para executar esse valioso trabalho, poderíamos criar várias divisões militares de ‘administradores’. Eles poderiam vestir uniformes especiais ostentando várias patentes e medalhas, todas adquiridas em decorrência de seus bravos ‘serviços prestados ao meio ambiente’ e da defesa intransigente da natureza e de seus recursos contra os humanos predadores.”


Se um recurso é guardado em definitivo, ele não tem valor para a economia. E não vejo como as futuras gerações poderiam tirar proveito disto se não puderem também em seu tempo fazer uso do mesmo. A questão não é, portanto, guardar, preservar sem que isto implique em como utilizar os recursos com menor grau de poluição. Se a maioria dos ambientalistas acha que o capitalismo é o responsável pelos impactos ambientais não é preciso um grande exercício intelectual para provar que estão errados, pois impactos gravíssimos também ocorreram no socialismo e ainda ocorrem em poucos países que ainda ostentam esta causa. Mas, se impactos de grande magnitude ocorrem em diferentes (e até antagônicos) sistemas econômicos, não deveria haver alguma dúvida sobre o encaminhamento de soluções ambientais dever se pautar com algo além da simples adoção de uma economia mais livre?

Provavelmente, se fosse hoje, uma usina como a de Itaipu tivesse imensa dificuldade em ser licenciada, mas talvez em vez de uma grande usina, tivéssemos várias menores que totalizassem a mesma capacidade energética, com o benefício de não extinguirem o Salto de Sete Quedas. Além de preservar o belo cenário, com grande potencial turístico, impactos menores têm maiores chances de adaptação (e superação) pelos ecossistemas. Se há problema na atual postura burocrática sobre a equalização entre ambiente e desenvolvimento ela está menos nos princípios adotados do que em seus procedimentos morosos.

Na Amazônia existem várias pousadas e hotéis de luxo. O que não se vê, no entanto, é a facilidade para que um turismo de baixa renda deslanche. Se parte do problema está na escassez de infra-estrutura, a falta desta impede que o mercado consumidor potencial se estabeleça e, consequentemente, desfrute do que a natureza local oferece. Malgrado, uma visão de ambientalismo aparta a maioria dos mortais da beleza cênica que poderia servir de base para alteração de padrões comportamentais envolvendo o consumo. Em termos pedagógicos, não se ensina uma criança a lidar com o perigo afastando-a deste. Por que pode se achar que uma “consciência ambiental” seria diferente, com menor acesso às áreas protegidas com valor ambiental intrínseco? Condenando uma imensa região à falta de opções, leia-se comércio, o que pode restar de alternativa de subsistência a não ser o corte de madeira, garimpo ilegal, caça de espécies silvestres ou pecuária extensiva?

Na Amazônia, as terras são abundantes e baratas, quando não, devolutas mesmo, o que pode ser obtido com o recurso do Usucapião. Apenas cinco anos e é teu, desde que 80% do terreno sejam resguardados como reserva. O que não significa que não poderá desmatar bastante, em termos absolutos, haja vista o padrão de propriedades na região: grande. A questão do uso sustentável, no entanto, não é resolvida com apenas isto. A pecuária extensiva é o melhor modelo para a região? Em minha opinião, a indústria madeireira é mais sustentável, desde que seja adequadamente gerenciada e isto não pode ser feito sem técnica. Se realmente existe preocupação com a reprodução do investimento regional deveria se perguntar como fazer para manter, permanentemente, a atividade produtiva, seja ela qual for. Há soluções para tanto, mas a simples mudança de regime jurídico de propriedade pública para privada não dá um basta nisto. Há que conhecer meios tecnológicos (nem todos sofisticados ou inacessíveis) e administrativos.

O garimpo é altamente predatório e, sem fiscalização, leva a depredação ambiental como os rejeitos que são lançados (metais pesados) nas várzeas onde os garimpeiros usam suas bateias. Neste sentido sou amplamente favorável à concentração da atividade com o grande capital (a Vale é um exemplo), mas que só funciona com sua exposição pública, fiscalização e ameaça de punição (com o subproduto de queda nas ações por transgressões). Neste sentido, o mercado é um forte agente de preservação e exploração sustentada.

O livre jogo entre produtores, distribuidores e consumidores é útil, mas sem um sistema de regras (coercitivas, para abusar da redundância) que impliquem em punição às infrações que coloquem em risco, inclusive, propriedades vizinhas, a segurança para o próprio mercado operar não existe. Ninguém é obrigado a se submeter à prática de reciclagem de seu lixo ou a sua simples coleta, afinal, o lixo é seu, mas desde que guarde o mesmo debaixo de seu travesseiro. A partir do momento que o lixo privado atravessa o portão, entra no subsolo ou é exalado na atmosfera deixa de ser um problema privado. E daí tem que pagar por isto. Não dá para ser ‘liberal’ só na hora de produzir e ser ‘socialista’ quando se trata de devolver o custo da produção aos demais. Se algo produzido por mim afeta outro proprietário, eu tenho que indenizá-lo. Por isto, um sistema que preveja o impacto/dano é necessário. O mesmo princípio adotado na coleta e seleção do lixo tem que ser estendido a outros níveis de convivência, como a prática produtiva em regiões como a Amazônia ou demais áreas que requeiram peculiaridades em sua administração.

Outro tipo de argumento que considero fora de foco é o de que a legislação ambiental empobrece a população, sobretudo a mais pobre. O raciocínio é de que as comunidades, especialmente as mais carentes estariam condenadas a não utilizar os recursos naturais dos quais dependeriam. Só que este argumento não chama atenção para um detalhe:
o não cumprimento da legislação impacta e, possivelmente, empobrece quem depende dela. Vejamos, a não obrigatoriedade de preservação das matas ciliares acelera a erosão tornando o agricultor mais pobre no longo prazo, mesmo que este porventura venha, no curto prazo, a ganhar mais. Agora, eu gostaria de conhecer um estudo que avaliasse quanto pesa para um agricultor, o custo do registro de sua reserva legal no cartório? Ou o valor de agrimensores e topógrafos? Reduzam ou zerem tais taxas burocráticas que, provavelmente, a reserva legal e matas ciliares serão preservadas. Mas, eu sei que é mais fácil (e populista) atacar a legislação preservacionista do que o modo como nossa estrutura burocrática está montada. É mais fácil apontar como vilão, o inócuo espantalho do que os furtivos corvos.

E, se realmente há preocupação com os pobres produtores achacados pela insensibilidade legalista, por que não se discute a baixa produtividade da produção e criação extensivas?
[2] Onde estão as propostas para o aumento intensivo da produção agrícola ou pecuária com redução tributária em produtos químicos? É difícil encontrá-las na proporção inversa da facilidade de se encontrar o incentivo ao desmatamento de 30 metros às margens dos córregos.

A propriedade privada e a lógica de mercado são úteis para o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental. Não sou ingênuo ou utópico ao ponto de considerar que nenhum desmatamento deva ocorrer. Acho que a urbanização é um fenômeno social que ajuda a diminuir a pressão sobre os ecossistemas incentivando uma maior produtividade das áreas já destinadas à produção e próximas dos mercados. Uma rede mais densa de cidades na Região Norte faria melhor em termos ambientais do que várias “performances conscientizadoras” do Greenpeace, simplesmente, por que empregos gerados são algo mais pragmático do que não consumir e, portanto, não trabalhar. Mesmo modelos privados de preservação, como as Reservas Particulares do Patrimônio Nacional (RPPNs), bem sucedidas no Brasil, tem que contar com produção e geração de fundos para sua manutenção. Esta simples verdade parece escapar para nossos generosos legisladores com suas canetas ao assinarem decretos, pois a preservação também não tem “almoço grátis”. O que não dá para consentir é que liberais caiam no conto da carochinha ou acusação ambientalista de que o capitalismo causa destruição. O que não dá para admitir é que precisemos caminhar em direção a auto-destruição luddita
[3]de que a humanidade é um erro ou, em outra mão, de que só há um caminho, seja ele o mercado ou o estado. O que há é negociação, luta e métodos sempre discutíveis para se atingir determinados fins. Assim como eu não creio em “revoluções espirituais” de mochileiros em busca de uma salvação, também não creio em panacéias ideológicas venham de onde vierem. O que causa destruição é ausência de ordem, disciplina e, em uma palavra, civilização. Rejeito terminantemente a ilusão negativista dos ambientalistas, mas também não vejo apenas um dos pólos da engrenagem, estado ou mercado como dotados de uma razão superior. A questão, insisto neste ponto, é menos o regime de propriedade (público ou privado) do que a eficácia de nosso Judiciário.



[1] Além do livro há um filme bastante fiel sobre o caso: Into the Wild (2007).

[2] A produção tipicamente extensiva é aquela com baixo valor por hectare, o que varia segundo uma média regional. Um aumento ‘extensivo’ da produção significa uma expansão horizontal da atividade, o que até se justifica por valores de mercado onde o insumo terra for abundante e barato, como é o caso amazônico. Uma produção intensiva típica, se considerarmos o cenário nacional seria em torno dos grandes centros urbanos ou entre eles, como o Vale do Paraíba do Sul entre São Paulo e Rio de Janeiro.

[3] Refiro-me a Ned Ludd, ativista inglês antiindustrial do século XVIII.

Wednesday, June 17, 2009

Dois debates


A influência ou oportunismo governamental com a temática ambiental não é novidade. Desde 1972, com a Conferência de Estocolmo que o debate ecológico tem a nítida presença de governos. Ocorre que naquela época, a preocupação se dava precisamente com apreservação de recursos naturais. Daí, o termo ‘preservacionista’ que, dado o radicalismo ongueiro atual, parece ter saído de moda. Por que é que é a questão... Em parte, porque a maior parte das organizações ambientalistas se compõe de socialistas reciclados que busca outro carro chefe para guiar suas idéias intervencionistas. Mas, não é só isto: alterações ambientais, dentre as quais, as presumidas mudanças climáticas são as que mais chamam atenção e, outras bastante evidentes, que resultam em impactos indesejados que prejudicam a todos indistintamente. De modo que é, no mínimo, temerário vociferar que se trata, tão somente e de modo simplório, de um ataque estatizante contra o capital privado. É muito mais do que isto. Externalidades não previstas (pois, não seriam externalidades se fossem devidamente previstas), prejudicam vários empreendimentos também. O próprio capital, em determinada situação, pode ser prejudicado pela ação de outro agente, seja estatal ou privado. Cabe conhecer o processo na íntegra, para que ações indenizatórias possam resultar em justas compensações (assim como danos à propriedade, p.ex.).

Na comunidade científica temos o dissenso, embora maior em alguns temas e, menor em outros. O que não procede é misturar os dois debates, o propriamente científico e, o político que envolve o aproveitamento com soluções de ocasião para temáticas complexas. Confundir os dois é o primeiro passo para a mistificação, como querer crer que só pela procedência das informações (ONU, Al Gore, James Hansen, NASA etc.), não são válidos ou dignos de investigação e apuração. Se há realmente oposição de peso e com conseqüência, tem que se bater de frente, isto é, discutindo os pressupostos, métodos e resultados das pesquisas que se pretende(sic) criticar. Há cientistas que tentam este caminho, como Richard Lindzen, Willie Soon, Philip Stott etc. Se obtêm sucesso ou não, não sou eu quem vou dizer, pois não passo de um leigo interessado e ignorante nesta ciência. O que não dá, que consiste numa estratégia evasiva, é criticar o que “está em torno” do debate verdadeiro, o contexto político de um conteúdo científico.

Acho que a maioria de nós aqui não tem conhecimento suficiente para se posicionar como céticos ou contrários, negacionistas etc. Minha alternativa (cômoda, é verdade) é mais apropriada: declaro-me um ignorante na matéria que preciso conhecer (muito) mais a fundo para saber opinar.

Eu, pelo menos, teria vergonha de parecer o contrário ao me manifestar arrogantemente como conhecedor do que sequer desperdicei em busca do conhecimento, do verdadeiro conhecimento.


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